Abismo de Ilusões

Sulino e Marrueiro

Mulher ingrata o seu rosto descorado
Já não esconde o desgosto que sofreu
Se você fez de sua vida um mercado
Este destino você mesma escolheu


Você já teve um certo lar como um abrigo
E teve um homem que outrora lhe quis bem
Mas por vaidade desprezou o lar antigo
Para viver entre as mulheres de ninguém


Naquele dia quando você foi embora
Desesperado chorei lágrimas de dor
E nunca mais esqueci a triste hora
Que para sempre eu fiquei sem seu amor


O meu consolo é abraçar nossa filhinha
Que tanto chora porque não pode te ver
Para o meu martírio essa pobre coitadinha
A todo instante me pergunta por você


"papaizinho, onde está minha mãezinha
Todas as criancinhas têm mãe
Só eu que não tenho a minha


Não chora filhinha
Enxugue os olhinhos seus
Sua mãezinha querida
Foi para o céu junto de deus"


Mulher ingrata é impossível que no limbo
Você consiga repousar em santa paz
É impossível que não doa em seu peito
A negra mancha que só a morte desfaz


A boemia é um abismo de ilusões
Onde os boêmios sepultam a morar
No fim da vida em cruéis desilusões
Todos recebem um castigo do seu mal

Composição: SulinoColaboração e revisão: Danilo Pereira

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